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Entrevista Victor Vasconcelos Fluir Stand Up

Victor Vasconcellos, é um dos shapers mais renomados do Brasil no que tange a fabricação de pranchas, não importando qual tipo. Renomado surfista, começou a fazer as suas próprias pranchas no início dos anos 70 passando por toda a evolução do esporte. Aficionado por esportes com prancha, produziu e andou de Windsurf e até hoje é destaque tanto dentro d´agua surfando, andando de Kitesurf, e de Stand Up como na arte de produzir todo esse tipo de prancha.
Uma das estrelas dos programas 70&tal e hidrodinâmica do canal OFF dentre outros que estão para serem lançados ano que vem, Victor abre o jogo nessa entrevista exclusiva onde fala da sua história no SUP, materiais utilizados e, óbvio, sobre pranchas!


Fale um pouco como começou a sua historia nos esportes com pranchas?


Se for pescar do começo, uma modalidade foi engatilhando na outra. Eu comecei a shapear em uma época que era muito fértil em termos técnicos no sentido dos modelos irem mudando. Eu comecei na época das pranchas monoquilha, logo após as mini model sendo que a primeira prancha que eu fiz foi em 1972, se eu não me engano. Eu fiz as monoquilhas para mim e para meus amigos e elas foram bem-sucedidas porque surfávamos com elas todos os dias e sabíamos o que funcionava. Logo depois começaram as pranchas de duas quilhas. Todo mundo trocou de prancha motivando o mercado a produzir. Em seguida mudaram para as pranchas de quatro quilhas e depois para as atuais três quilhas.
Já na década de 80 começou a moda do Windsurf nas ondas e nessa situação eu já me encaixei, até porque sempre fui fissurado em fazer prancha. E esse era um novo desafio para mim. Nesse início não tinha bloco especifico então eu pegava três blocos de gunzeira, e colava um em cima do outro para ganhar em volume e chegar perto de uma prancha de Wind. Investi nesse segmento até a época em que apareceram as pranchas injetadas, com molde, que eram pranchas mais fortes para sustentar o mastro.
Já no Kitesurf eu começei em 1991 e me envolvi totalmente não só como fabricante desenvolvendo os modelos, mas como atleta também. Acredito que para fazer uma prancha boa você tem que estar participando ali no dia a dia, tem que estar dentro d´agua. Só lembrando que desses três esportes e do SUP, é claro, eu pratiquei todos! O único que nao pratico hoje em dia é o Wind pelo equipamento. E não velejei na época em alto nível técnico pois eu corria o circuito mundial de surf, a antiga IPS, onde meu foco era total.

Quando você viu o SUP pela primeira vez?


O primeiro cara que eu vi andando de SUP nas ondas foi o Eraldo (Gueiros) no postinho na Barra da Tijuca, até porque eu estava sempre ali por causa do Kite. Achei muito desajeitado no começo (risos). Prancha gigantesca indo para um lado com o auxilio do remo, definitivamente e eu não gostei no inicio. Achei um esporte de velho (mais risos)! No começo eu fui bem cético em relação ao SUP, até a chegada do verão. Você sabe como é né? Começou a parar de dar onda, o mar sempre bem marola e na marola o SUP começou a ficar legal. Ai, como não tinha nada para fazer, eu resolvi começar a andar. Ai quando você rema, acaba sendo fisgado pelo esporte.


Quando você achou que o SUP poderia “dar liga”?


Quando eu comecei a praticar, de cara já vi que tinha que melhorar aquele tipo de prancha. Dava para ver que era questão de performance, de ir melhorando a técnica, de começar a fazer um surf mais solto com uma prancha um pouquinho menor porque no início eram umas pranchas de 12 pés. No inicio tinha muito essa visão do SUP ser um longboard com remo, que era feito para andar pro bico etc. No meu caso eu já vi completamente diferente. Eu queria um SUP que virasse com facilidade e desse batida reto igual a uma pranchinha. Acho que fui um dos primeiros a fazer as pranchas com esse design de bico estreito, rabeta bem estreita, muito swallon, double wing e as pranchas começaram a ficar bem legais. Nesse começo, fora os meus clientes iniciais, o Bezinho Otero foi o primeiro atleta de ponta a utilizar as minhas pranchas e eu consegui desenvolver um modelo mais especifico para um cara mais radical. A base que eu tinha para fazer as pranchas era do meu surf. Quando você pega um cara que é atleta, bom surfista e pega uma prancha sua, abre um novo horizonte. Então, a evolução foi constante, diminuindo estreitando, afinando, refinando e fazendo uma prancha voltada para a performance.


E a prancha de SUP Surf, quanto menor, melhor?


Essa pergunta é interessante porque isso foi uma tendência no SUP. Um raciocínio simplório é que prancha pequena é mais solta. Então começou uma corrida para diminuir a prancha, mas não se queria perder flutuação nem estabilidade. Nessa hora começaram a surgir umas pranchas menores que eram grossas, uns tocos que não funcionavam. Qualquer prancha necessita de uma harmonia das linhas, não adianta diminuir só o tamanho porque fará pouca diferença ainda mais se você quiser compensar em outros pontos. Quando se faz uma prancha menor, mas muito mais larga ou menor, mas muito mais grossa você acabou de trocar seis por meia dúzia. Pode até ser que ela tenha um feeling de uma prancha mais fácil de mexer, de balançar na onda, mas não passa disso. Existem muitos SUPs Mini Simons que são pequenos com bico largo, mas é uma prancha que serve apenas para caber dentro do elevador. No resto ela acaba não funcionando pela harmonia dos fatores. Igual a você fazer um bolo doce e não colocar os outros componentes, você acaba estragando o produto. Você pode até fazer uma prancha pequena, mas se não mexer de forma harmoniosa nas outras medidas que compõe uma prancha você vai estragar a hidrodinâmica da prancha. Foi uma tendência no começo do SUP mas acredito que não funcione.


Que tipo de pranchas você gosta de produzir?


Minha especialidade são pranchas para utilizar em ondas. Mas o desafio nos leva a extrapolar esses limites fazendo pranchas para qualquer situação.
No início do Stand Up tinham aquelas pranchas hibridas que se encaixavam em qualquer tipo de condição, seja para surfar ou para remar. Posteriormente a isso, teve a segregação onde as pranchas de SUP WAVE começaram a ficar mais refinadas para pratica nas ondas enquanto surgia uma linha de pranchas de mais performance em remada de longa distancia e velocidade. Essas pranchas eram bem maiores com os bicos corta agua, entrando em uma linha de hidrodinâmica voltada mais a velocidade do que era para onda. Eu tive que começar a pesquisar para poder entrar nesse segmento e chegar em uma prancha que pudesse ser a mais rápida possível e com boa estabilidade. Eu comecei a pensar voltado para o mar liso, só que com o passar do tempo, percebemos que deveria ser para todas as condições. Nesse momento o próprio SUP RACE começou a se dividir em outras categorias como o Downwind que é uma prancha que necessita de mais curvatura, com outro posicionamento da pessoa em cima da prancha, que é completamente diferente de uma prancha que você vai remar velocidade em uma lagoa ou em um rio. É um universo gigantesco que é muito legal de trabalhar.


Mas já ter fabricado pranchas para outras modalidades não te ajudou nesse caso?


O Windsurf me ajudou a fazer linhas longas, ou seja, arcos longos de pranchas 10 pés que não fazíamos muito. Então me familiarizou muito em pegar um bloco, pegar a plaina, dar forma no fundo de uma prancha de modo que seja um arco perfeito, uma parábola sem bumps, que na realidade são imperfeições na curva que funcionam como freios, que atrapalham a hidrodinâmica do fundo de uma prancha ou do outline, enfim. Você começa a ter uma visão na sua cabeça de arcos constantes que vão ser perfeitos para a hidrodinâmica e isso veio com o advento das pranchas de SUP RACE.


E no caso do SUP WAVE?


Nesse caso, todas as modalidades que já fabriquei me ajudaram. Pranchas para onda são pranchas para onda em todos os segmentos. O que muda é uma alça, um mastro ou um remo. Agora a corrida da prancha na superfície é basicamente a mesma. O diferencial vai ser o tamanho das pranchas e as curvas, todas elas voltadas para as linhas de onda. As curvaturas que você trabalha, são dedicadas as diferentes linhas de onda como a onda do Postinho que é bem cavada. Quando você vai para picos como a Macumba, o Guarujá ou a Praia da Vila em Imbituba são outras curvaturas completamente diferentes.


Então, o maior diferencial de uma prancha é a curvatura?


De todos os componentes a curvatura é um dos principais. Temos ainda o outline, a espessura, mas o principal segredo para mim é a curvatura. Sempre recebo feedback dos meus atletas sobre esse tema. A grosso modo, prancha com muita curva é boa para as manobras, mas não anda para a frente. Você desenvolve com o atleta o máximo de curva que a prancha possa ter dentro de um perfil de velocidade e resposta nas manobras.


E o tipo e a qualidade de material utilizado na construção de pranchas?


Essa pergunta pode levar umas 50 mil horas de explanação mas vou tentar ser breve. Depois que você tem um domínio do design das pranchas, na performance que ela pode atingir, o próximo passo é dominar o tipo de material a ser utilizado. A exemplo do windsurf, que é um esporte que tem uma alta tecnologia dos materiais utilizados, o futuro passa por você utilizar o material adequado para cada tipo de prancha. Muitas pessoas utilizam pranchas importadas, que tem o fama de serem super-resistentes tanto as de SUP WAVE como as de RACE. As pranchas importadas, como elas tem um material muito bom, muito forte, elas são muito rígidas. Mas para o surf eu acho fundamental ter flexibilidade na prancha. Nesse momento chegamos a um novo universo em questão de construir uma prancha que seja resistente, ter curvaturas ideais e ter um quesito que é pouco falado que é a flexibilidade da prancha. Você não pode ter uma prancha super flexível nem uma prancha completamente rígida. Os extremos não são bons. Principalmente em questão de onda. De remada em aguas abrigadas também porque se você pega uma prancha flexível, na hora que você está remando e fazendo pressão em cima da prancha, se ela dobra, ela freia. O que é diferente de uma prancha de downwind que é importante que você tenha uma pequena flexibilidade em pontos corretos e em uma prancha de SUP Surf que precisa de um pouco mais de flexibilidade no geral. Eu acho que os materiais hoje em dia vieram para dosar isso, novos desafios e novas construções com relação a quantidade de camadas, carbono, kevlar etc. Até que ponto uma prancha de SUP WAVE é boa sendo forte e rígida? Não sei até que ponto meus atletas vão gostar de pranchas fortes. Pranchas que vão durar 1 ano. Eles querem pranchas superleves, flexíveis, que permitam manobras que levante o público que está vendo o esporte da areia e que ganhe campeonatos! A melhor prancha para eles é aquela que você fez na mão, com o mínimo de camada possível, muito leve e que pode quebrar na primeira caída. As pranchas de SUP WAVE de performance da maioria dos atletas de ponta não são resistentes. Pegam uma onda de 1,5m, bota para o tubo, a prancha pode partir. Toma uma onda de 2m, a prancha pode trincar. Basicamente é uma prancha de surf adaptada para o SUP. Então são os dois lados da moeda. Uma prancha que tem uma performance sensacional, mas que por outro lado você pode trincar em um treino para um campeonato. Essa é uma relação muito delicada e só através de pesquisa de material, construções e testes chegaremos ao ponto ideal. Mas acho que a graça está exatamente ai!


E quem são os seus atletas? Quem te ajuda nesse desenvolvimento?


Quando um esporte começa, a sua equipe é você mesmo. Todos os esportes que eu comecei a praticar eu fui a minha primeira equipe, a minha primeira referencia. Eu fazia a prancha, entrava na agua e testava. Agora, eu e meus parceiros de profissão temos uma restrição técnica. Uma coisa é você surfando, a outra é um cara que surfa com uma habilidade diferente da sua. O Bezinho Otero foi o meu primeiro piloto de testes, participando da evolução do esporte usando pranchas Hot Stick! Hoje, do relacionamento tão próximo que temos no desenvolvimento de equipamento ele não é só meu atleta, mas também um grande amigo.
Depois do Bezinho veio o Ian que acompanhei desde muito cedo, na época ele tinha 15 anos. Ele era atleta da Art In Surf mas usava as pranchas shapeadas por mim. O problema é que ele usava pranchas de outros shapers também o que dificultava a continuidade do trabalho. Ele acabava vendo na frente cinco estradas e ficava sem saber qual era a melhor. Independentemente do shaper, acredito que o atleta tem que seguir um caminho, desenvolver um modelo que, ambos, o atleta e o shaper evoluam. Em tempo, recuperamos o menino e hoje em dia ele continua na Art In Surf mas faz parte da equipe Hot Stick também.
Depois veio o Lucas Medeiros, atleta do Espirito Santo, que o Bezinho e o Ian colocaram uma pilha e eu me identifiquei muito com a personalidade dele. Acabei indo para o Espirito Santo na casa dele, surfar as ondas que ele surfa, ver ele surfando essas ondas e perceber que podíamos melhorar muito as pranchas dele. Ele já foi um caso diferente dos demais porque veio de outro shaper, então eu pude mostrar um trabalho a ser feito dentro do equipamento que ele já usava. O que já foi diferente do Ian que era mais amarrado a determinados números e convicções e foi completamente diferente do Bezinho que era um cara que esteve comigo desde o começo usando os meus parâmetros. Eu fazia as pranchas e ele apenas surfava falando o que tinha gostado ou não. Hoje em dia eu tenho mais um garoto na equipe que é o Felipe Barreto, de 15 anos, que estamos evoluindo bastante o equipamento que ele usa. O bom é que ele pega onda de SUP, surf e kite! É filho de um amigo meu e nessas horas você acaba ajudando na educação também, pressiona para ele estudar, para falar inglês e por aí vai.
O legal disso tudo é que, por a relação ser de confiança, os atletas acabam virando bons amigos e isso serve para os clientes também!

E o quanto uma prancha que você faz de performance para os seus atletas de ponta você consegue inserir nas pranchas de seus clientes?


Para os clientes normais que não são profissionais, você vai na habilidade de cada um. Você começa a partir da informação que eles te passam. Agora, quando você vê um atleta de ponta executar uma batida reta e voltar na buraqueira, se o bico bater na base da onda antes do resto da prancha chegar, é fundamental a análise da curvatura da prancha. Quando você coloca muita curvatura é ruim porque a prancha freia. Então acredito que o principal feedback que os atletas me passam que eu posso aplicar para as pessoas normais é sobre a curvatura. Os atletas manobram onde pessoas normais não conseguem e aí dá para saber o que realmente funciona. Os demais quesitos, vão de acordo com o perfil de cada cliente. Peso, altura, frequência e habilidade. Em todos esses um atleta de ponta é TOP. Geralmente quando você faz uma prancha para a equipe você pode ir no limite do tamanho e da flutuabilidade. O equilíbrio deles é de outro planeta! Eles remam com a agua no joelho.


Como é quando um cliente chega na sua loja e já pede uma prancha com medidas especificas?


Isso é o que mais acontece. As vezes o cara é até habilidoso, mas ele acha que vai encomendar uma prancha igual as dos tops. Não vai! É até engraçado, eu já fiz essa experiência. Eu já emprestei uma dessas pranchas para um cliente e falei: Vai lá! Testa! Na volta ele já viu que a historia era outra. Voltou cabisbaixo falando que remou deitado, ficou em pé com o remo na mão, mas não conseguiu ficar em pé por mais do que 2 segundos. As vezes o cliente já tem uma prancha 8’6 com 28 de largura ai ele chega na loja querendo radicalizar e pede uma prancha 8 pés com 25 de largura. Já adianto logo para ele que não vai conseguir ficar em pé em uma prancha assim. As vezes o cliente fica até chateado, falando que surfa bem, que já fez isso, fez aquilo, mas o shaper já tem esse conhecimento pelos longos anos nessa jornada. Então explicamos, mostramos e até pegamos pranchas para mostrar para eles verem na mão essas pranchas diferenciadas que apelidamos de SUPmarino. Agora, cada um tem seu objetivo. Todos podem ir melhorando, diminuindo e afinando as pranchas, mas existe um limite que a própria pessoa não sabe e aí que entram os shapers para direcionar cada um. Você precisa convencer o cliente a fazer uma prancha que ele vai conseguir se divertir.


Esse é um dos diferenciais que um Shaper deve ter?


O shaper, hoje em dia, é muito mais um interpretador da necessidade da pessoa através de variáveis como altura, peso, idade, habilidade de remada, frequência com que rema. Toda essa interpretação é fundamental e nós temos essa experiência para indicar a prancha certa para a pessoa. O valor da prancha de SUP está dentro desse padrão. De você conseguir fazer a prescrição certa para o cliente. Até porque prancha todo mundo vende. O cara vai em uma loja e vai achar um monte de prancha legal, agora escutar de um especialista uma indicação ou fazer uma prancha é acima disso. Ele está fazendo uma prancha especial, customizada. É igual a um médico. Você vai na farmácia e pergunta para o enfermeiro qual o remédio que você deve tomar? Você vai em um médico de confiança que ele te passará o medicamento. O papel do shaper vai muito além do design. A ideia é passar todo esse conhecimento para um cliente especifico baseado na interpretação que se tem após uma conversa com o cliente. E é esse fator que vai fazer a prancha ser funcional para uma certa pessoa e para outra não. É igual a um terno que é feito sob medida. O que acontece hoje em dia é a ausência desse valor. É o chamado vale tudo. O cara vai comprar uma prancha e qualquer coisa vale, afinal o que importa é o quanto ela custa. Ótimo! Se a pessoa acha que ele merece uma prancha que só boie, excelente! É esse o tipo de prancha que ele tem que comprar mesmo. Agora se ele quer uma prancha diferenciada, feita por alguém que tem anos de experiência e pesquisa com todos os tipos de prancha e materiais, aí ele deve procurar um especialista, que é o shaper.


Citaria algum shaper de destaque?


Eu acho que shaper tem que desenvolver uma pesquisa com algum atleta. Dentro desse raciocínio eu citaria o Pastor que é um cara que tem isso, seja no Longboard, surf e no SUP. Ele sempre trabalhou com uma equipe de atletas. Tem também o Gabriel Vicente, que apesar de ser novo, eu vi boas pranchas dele. Dentro desse horizonte de SUP Surf são os caras que eu citaria.


E conselhos para quem quer entrar nesse ramo de fabricação de pranchas?


Esteja envolvido, fazer prancha boa é uma consequência do fato de você gostar de fazer prancha. Fazer prancha vai muito além do que apenas colocar a mão nela. Se você praticar o esporte, melhor ainda porque você terá mais condições de analisar os princípios que regem essa matemática. O shaper tem que estar muito envolvido e a pesquisa e o estudo são fundamentais.
Tem uma vertente que acha que fazer prancha é uma profissão bem informal que o cara não precisa saber nada. O cara que não sabe nada, a prancha dele é uma porcaria. O cara que sabe muito, a prancha dele é boa. E o que sabe muito é aquele cara que estudou, é o cara que passou mais tempo dentro da agua, é o cara que teve mais atletas, é o cara que fez várias pranchas para ele mesmo sentir, é o cara que fez várias pranchas para o atleta ir testando. O atleta as vezes nem pede prancha e eu já vejo algo diferente, tenho uma super ideia e falo: Dane-se, custa caro, vai dar trabalho, mas eu vou fazer porque eu quero ver ele usando essa prancha! Eu tenho fissura de ver o atleta usando algo que me deu um estalo de que poderia ser muito bom e não me aguento enquanto não coloco a prancha no pé do atleta para ver a prancha dentro da água.
Depois desses anos todos produzindo prancha, o que te deixa estigado a continuar procurando coisas novas? Voce nao está cansado?
Cansado eu estou. Peguei umas ondas de SUP ontem de manhã e velejei de Kite a tarde antes de vir para cá fazer a entrevista... Estou bem cansado (risos) !. Brincadeiras a parte, quem gosta de fazer prancha está ferrado. Vai fazer isso para o resto da vida. Já tive inúmeras oportunidades de fazer outras coisas, mas não consegui trocar mesmo tendo a rentabilidade menor. O Fabricante de prancha não vai ser rico, ele vai ser feliz! A vontade de fazer algo que você sempre possa melhorar, ver um atleta com performances cada vez melhores é fundamental e renova o espirito. O que melhora o esporte ou o atleta? A prancha melhora o atleta ou o atleta melhora a prancha? Na realidade é uma simbiose, uma melhora o outro e ambos vão evoluindo. O bom de trabalhar com atletas e bem próximo é que você pode fazer um equipamento melhor.


Tem novos desafios em mente?


Tenho passado alguns dias em casa fazendo alguns testes de material, pensando em flexibilidade. Tipo, na região das quilhas, isso é um segredo, hein? Eu gosto de colocar um pouco mais de flexibilidade onde a pessoa pisa para ter a chance de fazer a virada mais curta e isso está ligado não só ao shaper mas também como o material vai reagir. O retorno da flexibilidade é super importante. Quando você tem um retorno de flexibilidade muito lento não serve para o surf, nem para o SUP, nem para nada! Tem que ter uma volta rápida do material, uma memória do material que seja rápida. Hoje o meu desafio é com relação aos locais que eu vou mexer na flexibilidade para que seja positiva e proveitosa para o SUP e acho que o caminho da evolução do esporte passa por ai. Usar a energia além da pessoa estar fazendo força na prancha e da força da onda. A flexibilidade é um fator que sempre existiu mas muitos deixam de lado. Com todos esses materiais que temos acesso hoje tais como fibra de carbono, Kevlar, o próprio isopor e as longarinas diferentes, existe um novo caminho de pesquisa a ser explorado e para ser estudado. Logico, quem está mais próximo no dia a dia tem essas sacadas onde pode fazer algo diferente. É complexo, difícil de medir, varia conforme o material mas quem pensa nisso, está largando na frente!




Conselho para quem está começando no esporte?



Conselho é ir para agua e se divertir, procurar um equipamento bom, se quiser evoluir, buscar os fabricantes de ponta que vão te levar para um outro nível de performance e se dedicar, como tudo na vida.



Fonte: Revista Fluir - Stand Up